

PROGRAMA DE GESTÃO
Este é o programa do coletivo SOMOS UFBA para a gestão de 2026 a 2030 — um programa construído de modo coletivo, à luz dos princípios de uma universidade livre e autêntica, como a defesa intransigente de sua autonomia e do aprofundamento permanente da democracia.
Desde o lançamento da “Carta à Comunidade UFBA” por João Carlos Salles, em novembro de 2025, estudantes, técnicos administrativos e docentes, entusiasmados com sua candidatura, passaram a debater um programa que se estruturou em torno de seis eixos temáticos. Este é o documento que foi consolidado no dia 14 de março.
Somos muitos e somos plurais. A diversidade é um valor e faz parte da excelência acadêmica da universidade, que compreendemos como um espaço de confrontação de saberes, de trocas simbólicas científicas, artísticas e políticas insubstituíveis. Assim, nessa construção coletiva, agregamos visões e histórias distintas, mas estamos fortemente unidos na defesa da Universidade Federal da Bahia.
O processo dessa construção coletiva tornou evidentes muitos aspectos. Em primeiro lugar, fez sobressair a importância da Universidade Federal da Bahia, cujo destino interessa a todo o sistema nacional de ensino superior e à vida democrática em nosso país. Vozes de todos os cantos clamaram: a UFBA não pode se apequenar. Ela é uma universidade de excelência, marcada por profundo compromisso social.
Em segundo lugar, o debate cuidadoso desnudou um cenário de esgarçamento institucional, com um quadro de crises e conflitos, agravado em muito pelo fato de a educação superior em nosso país não ser uma prioridade nacional, não dispondo de orçamento correspondente às suas necessidades básicas, nem suficiente para o desempenho de suas tarefas mais elevadas.
Em terceiro lugar, a elaboração do programa evidenciou a precedência de temas transversais, que precisam ser contemplados nos diversos eixos, a exemplo de um enfrentamento sério e urgente das questões de gênero e diversidade, das questões raciais, do necessário aprofundamento das ações afirmativas, do combate à precarização das condições de trabalho, da valorização dos servidores técnico-administrativos e docentes, da proteção aos trabalhadores terceirizados e da urgente ampliação dos recursos para assistência estudantil.
Em quarto lugar, confirmou-se a necessidade de procedimentos de agregação da comunidade, de debate, de qualificação do consenso e do dissenso — enfim, de uma gestão universitária mais harmônica e pautada, toda ela, de modo transparente e democrático, por interesses acadêmicos elevados.
Na UFBA, devem prevalecer o interesse coletivo sobre interesses quaisquer de partidos, de governos ou do mercado, e a afirmação de sua qualidade e de sua história, como uma das mais importantes instituições de nosso país.
Este é o programa do coletivo SOMOS UFBA para a gestão de 2026 a 2030 — um programa construído de modo coletivo, à luz dos princípios de uma universidade livre e autêntica, como a defesa intransigente de sua autonomia e do aprofundamento permanente da democracia.
Desde o lançamento da “Carta à Comunidade UFBA” por João Carlos Salles, em novembro de 2025, estudantes, técnicos administrativos e docentes, entusiasmados com sua candidatura, passaram a debater um programa que se estruturou em torno de seis eixos temáticos. Este é o documento que foi consolidado no dia 14 de março.
Somos muitos e somos plurais. A diversidade é um valor e faz parte da excelência acadêmica da universidade, que compreendemos como um espaço de confrontação de saberes, de trocas simbólicas científicas, artísticas e políticas insubstituíveis. Assim, nessa construção coletiva, agregamos visões e histórias distintas, mas estamos fortemente unidos na defesa da Universidade Federal da Bahia.
O processo dessa construção coletiva tornou evidentes muitos aspectos. Em primeiro lugar, fez sobressair a importância da Universidade Federal da Bahia, cujo destino interessa a todo o sistema nacional de ensino superior e à vida democrática em nosso país. Vozes de todos os cantos clamaram: a UFBA não pode se apequenar. Ela é uma universidade de excelência, marcada por profundo compromisso social.
Em segundo lugar, o debate cuidadoso desnudou um cenário de esgarçamento institucional, com um quadro de crises e conflitos, agravado em muito pelo fato de a educação superior em nosso país não ser uma prioridade nacional, não dispondo de orçamento correspondente às suas necessidades básicas, nem suficiente para o desempenho de suas tarefas mais elevadas.
Em terceiro lugar, a elaboração do programa evidenciou a precedência de temas transversais, que precisam ser contemplados nos diversos eixos, a exemplo de um enfrentamento sério e urgente das questões de gênero e diversidade, das questões raciais, do necessário aprofundamento das ações afirmativas, do combate à precarização das condições de trabalho, da valorização dos servidores técnico-administrativos e docentes, da proteção aos trabalhadores terceirizados e da urgente ampliação dos recursos para assistência estudantil.
Em quarto lugar, confirmou-se a necessidade de procedimentos de agregação da comunidade, de debate, de qualificação do consenso e do dissenso — enfim, de uma gestão universitária mais harmônica e pautada, toda ela, de modo transparente e democrático, por interesses acadêmicos elevados.
Na UFBA, devem prevalecer o interesse coletivo sobre interesses quaisquer de partidos, de governos ou do mercado, e a afirmação de sua qualidade e de sua história, como uma das mais importantes instituições de nosso país.
Todos esses pontos se revestem de grande importância, sobretudo se temos em conta o agravamento do cenário mundial. Após termos lançado nossa Carta, avultaram-se, por exemplo, as ações do imperialismo estadunidense, com a intervenção na Venezuela e o sequestro de seu presidente, a guerra contra o Irã e ameaças cada vez mais explícitas à soberania de nações em nosso continente, como no caso de Cuba. Tal conjuntura pode agravar bastante a crise econômica e geopolítica mundial, seja pela imposição de sanções, seja pela interferência na política interna dos países, exigindo, então, uma defesa da autodeterminação dos povos e um combate ainda mais decidido às ameaças obscurantistas às nossas instituições democráticas — em especial, à universidade pública.
Nesse espírito de responsabilidade e sensíveis à atual conjuntura, apresentamos nosso Programa, urdido com seriedade e maturidade, como expressão de um trabalho coletivo, e não como uma soma irresponsável de promessas e de supostas benesses. Afinal de contas, a UFBA merece mais; não pode ser reduzida em sua natureza, nem condenada à irrelevância.
Reiteramos, assim, os princípios e os valores que orientaram nosso trabalho conjunto e continuarão a inspirar nossas ações. Afinal de contas, como afirmado na “Carta à Comunidade UFBA”, a universidade deve ser um projeto de Estado, que dialoga com todo o cenário da sociedade, sem perder jamais a altivez ou subordinar seus projetos a interesses eventuais de partidos, governos ou do mercado.
Trata-se, pois, de um projeto de Estado, mas não de um Estado inespecífico. A UFBA deve, pois, ser um projeto de um Estado democrático; por isso mesmo, de pés descalços e rica em diversidade e história, ela faz ciência e dança. Na universidade, nem tudo vale a pena, porque sua alma nunca se apequena. Como projeto de longa duração, ela não se rende à eficácia imediata ditada por um mero pragmatismo. Porque autônoma, ela não é uma mera repartição pública. Tampouco é uma empresa, que se mediria tão somente por resultados ou lucros.
Nosso horizonte é, portanto, bem mais largo e luminoso. Afinal, somos isso especialmente: uma aposta da sociedade no conhecimento e não na ignorância, na igualdade e não na exclusão. Por isso mesmo, devemos atravessar instabilidades e crises, não a reboque das circunstâncias adversas que enfrentamos dia a dia, mas sim mantendo nossos valores e princípios.
Somos a UFBA que enfrentou o Future-se e deve enfrentar falsas promessas de progresso. Somos a UFBA que sempre resistirá a todas as formas de obscurantismo. Somos UFBA, sim, autônoma e livre, radical e criativa, excelente e inclusiva, que há de combater os setores retrógrados que tentam sufocar nossa força e nossas utopias.
Todos esses pontos se revestem de grande importância, sobretudo se temos em conta o agravamento do cenário mundial. Após termos lançado nossa Carta, avultaram-se, por exemplo, as ações do imperialismo estadunidense, com a intervenção na Venezuela e o sequestro de seu presidente, a guerra contra o Irã e ameaças cada vez mais explícitas à soberania de nações em nosso continente, como no caso de Cuba. Tal conjuntura pode agravar bastante a crise econômica e geopolítica mundial, seja pela imposição de sanções, seja pela interferência na política interna dos países, exigindo, então, uma defesa da autodeterminação dos povos e um combate ainda mais decidido às ameaças obscurantistas às nossas instituições democráticas — em especial, à universidade pública.
Nesse espírito de responsabilidade e sensíveis à atual conjuntura, apresentamos nosso Programa, urdido com seriedade e maturidade, como expressão de um trabalho coletivo, e não como uma soma irresponsável de promessas e de supostas benesses. Afinal de contas, a UFBA merece mais; não pode ser reduzida em sua natureza, nem condenada à irrelevância.
Reiteramos, assim, os princípios e os valores que orientaram nosso trabalho conjunto e continuarão a inspirar nossas ações. Afinal de contas, como afirmado na “Carta à Comunidade UFBA”, a universidade deve ser um projeto de Estado, que dialoga com todo o cenário da sociedade, sem perder jamais a altivez ou subordinar seus projetos a interesses eventuais de partidos, governos ou do mercado.
Trata-se, pois, de um projeto de Estado, mas não de um Estado inespecífico. A UFBA deve, pois, ser um projeto de um Estado democrático; por isso mesmo, de pés descalços e rica em diversidade e história, ela faz ciência e dança. Na universidade, nem tudo vale a pena, porque sua alma nunca se apequena. Como projeto de longa duração, ela não se rende à eficácia imediata ditada por um mero pragmatismo. Porque autônoma, ela não é uma mera repartição pública. Tampouco é uma empresa, que se mediria tão somente por resultados ou lucros.
Nosso horizonte é, portanto, bem mais largo e luminoso. Afinal, somos isso especialmente: uma aposta da sociedade no conhecimento e não na ignorância, na igualdade e não na exclusão. Por isso mesmo, devemos atravessar instabilidades e crises, não a reboque das circunstâncias adversas que enfrentamos dia a dia, mas sim mantendo nossos valores e princípios.
Somos a UFBA que enfrentou o Future-se e deve enfrentar falsas promessas de progresso. Somos a UFBA que sempre resistirá a todas as formas de obscurantismo. Somos UFBA, sim, autônoma e livre, radical e criativa, excelente e inclusiva, que há de combater os setores retrógrados que tentam sufocar nossa força e nossas utopias.

EIXO I
O coletivo Somos UFBA reafirma a centralidade e a indissociabilidade da tríade ensino, pesquisa e extensão como fundamento do projeto acadêmico e institu cional para a promoção da justiça social. Reconhecemos, assim, a necessidade de ampliar o diálogo com a sociedade, reafirmando o compromisso da universidade com a diversidade de modos de saber e de viver, com uma formação crítica efetiva e afetiva e com ações que estabeleçam interlocução com as comunidades, entre as quais figuram as que são aparentemente externas, mas fazem parte da abrangência da universidade. Enaltecemos, também, a pluralidade como constituinte de um projeto de universidade comprometida com a excelência, contemplando as diversas áreas do conhecimento, e com uma práxis de enfrentamento ao racismo, sexismo, lgbtfobia, capacitismo, etarismo, entre outras formas de opressão. A autonomia universitária é um valor inegociável, necessário para que as ins tituições de ensino superior públicas cumpram plenamente seu papel em um projeto de sociedade democrática, voltada aos interesses da população brasilei ra — um projeto que promova cidadania, emancipação, transformação social e sustentabilidade ambiental, em direção a um país com equidade e soberania. O coletivo Somos UFBA se propõe a direcionar as ações pedagógicas pelo com promisso com práticas de acolhimento, pertencimento e permanência acadêmica e institucional dos/as estudantes, reconhecendo a qualidade e o compromisso so cial da universidade pública. No ensino de graduação, em suas diversas modalidades, nós nos comprometemos com o aperfeiçoamento da formação do/ da discente, pautada por princípios éticos, fortalecendo a auto nomia intelectual e o pensamento crítico; articulando a forma ção cidadã à demanda social por profissionais competentes que atuem em contextos marcados por contínuas transformações científicas, tecnológicas e sociais do mundo contemporâneo.
O coletivo Somos UFBA reafirma a centralidade e a indissociabilidade da tríade ensino, pesquisa e extensão como fundamento do projeto acadêmico e institu cional para a promoção da justiça social. Reconhecemos, assim, a necessidade de ampliar o diálogo com a sociedade, reafirmando o compromisso da universidade com a diversidade de modos de saber e de viver, com uma formação crítica efetiva e afetiva e com ações que estabeleçam interlocução com as comunidades, entre as quais figuram as que são aparentemente externas, mas fazem parte da abrangência da universidade. Enaltecemos, também, a pluralidade como constituinte de um projeto de universidade comprometida com a excelência, contemplando as diversas áreas do conhecimento, e com uma práxis de enfrentamento ao racismo, sexismo, lgbtfobia, capacitismo, etarismo, entre outras formas de opressão. A autonomia universitária é um valor inegociável, necessário para que as ins tituições de ensino superior públicas cumpram plenamente seu papel em um projeto de sociedade democrática, voltada aos interesses da população brasilei ra — um projeto que promova cidadania, emancipação, transformação social e sustentabilidade ambiental, em direção a um país com equidade e soberania. O coletivo Somos UFBA se propõe a direcionar as ações pedagógicas pelo com promisso com práticas de acolhimento, pertencimento e permanência acadêmica e institucional dos/as estudantes, reconhecendo a qualidade e o compromisso so cial da universidade pública. No ensino de graduação, em suas diversas modalidades, nós nos comprometemos com o aperfeiçoamento da formação do/ da discente, pautada por princípios éticos, fortalecendo a auto nomia intelectual e o pensamento crítico; articulando a forma ção cidadã à demanda social por profissionais competentes que atuem em contextos marcados por contínuas transformações científicas, tecnológicas e sociais do mundo contemporâneo.

No ensino de pós-graduação, propomos a formação vigorosa, pautada pela pesquisa, pela qualificação dos processos de orientação e por ambientes acadêmicos acolhedores que pro movam a produção de conhecimento científico, tecnológico, artístico e social, considerando os desafios locais e globais. No âmbito da pesquisa, da pós-graduação e da formação avan çada, defendemos a produção, criação e reflexão crítica, reforçando o compromisso público da universidade e sua contribui ção para o desenvolvimento científico, tecnológico, artístico e social. Compreendemos, portanto, a pesquisa como eixo estruturante da vida universitária, que dá origem a diversos desdobramentos institucionais, incluindo aqueles associados à inovação, sempre desenvolvidos em diálogo com o ensino e a extensão, com especial atenção aos programas institucionais de iniciação à pesquisa, à docência e à extensão no âmbito da graduação. No tocante à extensão, nós nos comprometemos a intensificar um processo interdisciplinar, político-educacional, cultural, científico e tecnológico, capaz de promover a interação trans formadora entre as instituições de ensino superior e os outros setores da sociedade. Compreendemos, afinal, a extensão como um traço distintivo da universidade pública brasileira, a ser profundamente valorizado. Reconhecemos, enfim, o papel estratégico da cultura e do patrimônio material e imaterial como dimensões indissociáveis de suas atividades acadêmicas e administrativas, integrando-as de forma transversal ao ensino de graduação e pós-graduação, à pesquisa, à extensão e à gestão universitária
No ensino de pós-graduação, propomos a formação vigorosa, pautada pela pesquisa, pela qualificação dos processos de orientação e por ambientes acadêmicos acolhedores que pro movam a produção de conhecimento científico, tecnológico, artístico e social, considerando os desafios locais e globais. No âmbito da pesquisa, da pós-graduação e da formação avan çada, defendemos a produção, criação e reflexão crítica, reforçando o compromisso público da universidade e sua contribui ção para o desenvolvimento científico, tecnológico, artístico e social. Compreendemos, portanto, a pesquisa como eixo estruturante da vida universitária, que dá origem a diversos desdobramentos institucionais, incluindo aqueles associados à inovação, sempre desenvolvidos em diálogo com o ensino e a extensão, com especial atenção aos programas institucionais de iniciação à pesquisa, à docência e à extensão no âmbito da graduação. No tocante à extensão, nós nos comprometemos a intensificar um processo interdisciplinar, político-educacional, cultural, científico e tecnológico, capaz de promover a interação trans formadora entre as instituições de ensino superior e os outros setores da sociedade. Compreendemos, afinal, a extensão como um traço distintivo da universidade pública brasileira, a ser profundamente valorizado. Reconhecemos, enfim, o papel estratégico da cultura e do patrimônio material e imaterial como dimensões indissociáveis de suas atividades acadêmicas e administrativas, integrando-as de forma transversal ao ensino de graduação e pós-graduação, à pesquisa, à extensão e à gestão universitária