Ato de lançamento da campanha Somos UFBA é marcado por coro de “Volta, João”

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Numa tarde de muitos abraços, música e poesia, foi lançada a pré-campanha “Somos UFBA", que pretende levar João Carlos Salles de volta à reitoria da Universidade Federal da Bahia. Mesmo sob uma Salvador chuvosa, o evento, realizado no dia 11 de novembro, lotou o auditório da Faculdade de Arquitetura. Em coro, estudantes, técnicos administrativos em educação, docentes e militantes ligados à comunidade UFBA entoaram "Volta, João". 

Na ocasião, João apresentou publicamente a versão final da “Carta à Comunidade UFBA”, na qual explica as razões que o levaram a concorrer novamente à reitoria, após dois bem sucedidos mandatos, de 2014 a 2022,  período em que também assumiu a vice-presidência e a presidência da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior (Andifes), de 2018 a 2020. A decisão, explica o docente no documento, é fruto de uma mobilização coletiva, um “nós” ativo e engajado com a universidade pública, gratuita, inclusiva, socialmente referenciada e de qualidade. “Foi imperativo nosso dever para com a UFBA, que é nosso maior valor”. 

Na reunião, as diferentes vozes deram corpo a um movimento coletivo, o que foi reiterado diversas vezes no evento. “É uma honra saber que não estou sozinho, que nós somos muitos e somos plurais. É muito bom ver aqui tantas pessoas que ao longo de décadas têm defendido a Universidade Federal da Bahia, pessoas que compreendem a importância da nossa luta, da nossa crítica, da nossa altivez. Somos a voz do conhecimento, e não da ignorância. Somos o lugar de luta contra o obscurantismo. Somos a aposta numa nação radicalmente democrática.”

Companheiro de João de longa data, o jornalista Emiliano José lembrou o período de militância nos tempos sombrios da ditadura militar, quando escrevia no jornal “Em Tempo". João, então um adolescente de 15 anos, distribuía o impresso pelas ruas de Salvador. “Talvez tenha sido ali que surgiu a disposição de luta que ele tem demonstrado ao longo da vida. Olho para aquele menino de 1977 e olho pra esse ainda jovem de hoje e vejo a caminhada de um cidadão, os milhões de passos que o transformaram num filósofo, num estudioso, num reitor capaz de nos levar a passos ainda mais seguros em direção a uma universidade autônoma, democrática e inclusiva.”

Referência nacional

Memórias de lutas mais recentes estiveram presentes no depoimento de Pedro Diniz, estudante de direito da UFBA, que era secretário de organização do Diretório Central dos Estudantes (DCE) durante a segunda gestão de João (2018-2022). Numa época turbulenta da política nacional, marcada pelo massivo corte de verbas às universidades no governo Bolsonaro, Pedro testemunhou o compromisso do reitor com os discentes. “João é uma figura sensível, do diálogo, que consegue congregar diversos projetos, desde que sejam a favor da universidade. Quando são movimentos que ameaçam a ciência e a democracia, aí ele vai pra cima com toda a combatividade necessária. Por isso, estou muito feliz de fazer parte dessa construção. Papi está voltando!" 

Outra ameaça enfrentada nesse período foi o Future-se, programa criado pelo Ministério da Educação (MEC) que restringiria a autonomia das universidades e institutos federais. Na época, João presidia a Andifes e liderou um movimento nacional contra a proposta, como lembrou o deputado estadual Hilton Coelho, do PSOL. “Seu posicionamento político teve um efeito positivo de mobilização na sociedade baiana e virou referência nacional. Por isso, quero mais uma vez João como reitor dos reitores."

Excelência no acolhimento

Mirando o futuro, a antropóloga Jamile Borges, professora da Faculdade de Educação e coordenadora do Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO), ressaltou a importância de investir em políticas de inclusão. “Estamos aqui construindo a campanha mais bonita e mais importante que a UFBA já atravessou. Essa é uma universidade que tem compromissos históricos, e que não tem medo de enfrentar problemas críticos. Costumamos falar de excelência em relação à produtividade, gestão, eficiência. A candidatura de João vai trazer a excelência para o acolhimento aos corpos e projetos que nunca se viram reconhecidos no espelho distorcido das nossas universidades, ao defender a permanência do acolhimento com excelência de indígenas, quilombolas, corpos trans, pessoas que, como eu, atravessaram uma cena difícil para estar aqui. É um compromisso público de fazer uma universidade realmente mais inclusiva e democrática." 

Militante do movimento negro, Kleber Rosa, segundo candidato mais votado na última eleição para a prefeitura de Salvador, em 2024, citou outro debate que a universidade deve enfrentar. “Fico feliz de voltar à universidade onde me formei, um lugar rebelde por natureza. Essa rebeldia se expressa hoje nessa plenária lotada, no primeiro ato de uma campanha que com certeza vai sacudir essa universidade. Participei ativamente da luta pela construção da política de cotas e agora sinto que a universidade precisa se debruçar com coragem sobre a questão da violência, defendendo um projeto honesto de segurança pública. A UFBA é capaz disso. Sei que é algo complexo. Meu segundo pedido é mais simples: volta, João!” 

Quem quiser se juntar a esse coro pode assinar aqui o Manifesto de Apoio. No mesmo link, é possível colaborar com a construção coletiva do programa da campanha. Numa tarde de muitos abraços, música e poesia, foi lançada a pré-campanha “Somos UFBA", que pretende levar João Carlos Salles de volta à reitoria da Universidade Federal da Bahia. O evento, realizado no dia 11 de novembro, lotou o auditório da Faculdade de Arquitetura, reunindo estudantes, técnicos-administrativos em educação, docentes e militantes ligados à comunidade UFBA.